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quarta-feira, 28 de março de 2012

Fé +Música= Reisado e devoção ao Bom Jesus da Lapa

No Santuário do Bom Jesus, cada romeiro expressa a sua devoção de maneira peculiar. As promessas de cera e os objetos depositados no altar em forma de agradecimento por graças alcançadas é a maneira mais utilizada pelos peregrinos, mas não é incomum encontrar nas grutas os grupos de reisados e ternos de reis que expressam através de cantos típicos o seu louvor ao santo.
Os reisados e ternos de reis são manifestações muito importantes para a nossa cultura e são antigas também. Era a música profana de antigamente, quando os estilos musicais eram divididos em sacro (canto gregoriano, é um exemplo), e profano (música dos trovadores e troveiros,  dentre outros). Chegou ao Brasil em Sergipe,   introduzido pelos portugueses. É comum encontrar nos reisados instrumentos típicos da região a que o grupo pertence. No santuário do Bom Jesus, geralmente aparecem grupos com flautas, gaitas ou pífanos, zabumba, pandeiro, violão e viola caipira, e alguns até com violino antigo, pois a maioria dos grupos visitantes da Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo.
É uma manifestação de muita fé, e é exatamente isso que faz com que pessoas sem conhecimento musical (teórico), comecem a exprimir a musicalidade existente em si, ao ponto de tocar um instrumento. A fé tem o poder de estimular a nossa sensibilidade.
Esse tipo de tradição acontece em vários momentos. É mais tradicional na época do Natal, e se estende até o dia 06 de Janeiro, onde se comemora o dia  dos Santos reis. Mas quando se trata em fé das pessoas, pode-se imaginar todo tipo de manifestação , mesmo que fora da sua época tradicional. É isso que acontece no Santuário do Bom Jesus. Apesar do tempo forte da romaria ser de Julho a setembro, onde não é época de folia de reis, é muito comum encontrar reisados na gruta, como forma de agradecimento em orações cantadas e instrumentais também.
O santuário do Bom Jesus da Lapa instintivamente estimula a fé das pessoas, e faz com que elas expressem da maneira que mais se sentem bem. Essa uma sensibilidade, estimuladora para quem não sabe teoria da música tocar e cantar através de seus próprios esforços, com único intuito: a de devoção.

Texto da minha coluna no Jornal Informe GBJ de Setembro! 

sábado, 24 de março de 2012

Música é profissão e deve ser respeitada e regularizada!

Muito interessante as palavras do músico, (apesar do palavrões), mas a indignação explica a reação.

.http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=VdkLSayB2Bo

I COLÓQUIO PARA CLARINETISTAS NA UFBA

Olá pessoal , nos dias 25 a 27 de abril acontecerá o nosso primeiro colóquio para clarinetistas aqui na UFBA, com participações de grandes clarinetistas brasileiros! As inscrições para o nosso 1º colóquio já estão abertas. Os interessados podem se inscrever no início do evento ou através do e-mail geisiane_rocha@hotmail.com/ geisianne_bjl@yahoo.com.br, que será mandado a ficha de inscrição. O valor da Inscrição é de R$10,00 e deverá ser paga no início do evento, mesmo os que fizerem a inscrição via internet.

Vejam a programação completa e mais informações, através do blog: http://coloquiodeclarinetas.blogspot.com.br/

Muita música a todos!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Ouvir música reduz ansiedade e dor em pacientes com câncer


Achei isso muito interessante e resolvi postar. 
Fonte: http://www.correiodoestado.com.br/noticias/ouvir-musica-reduz-ansiedade-e-dor-em-pacientes-com-cancer_122255/

Ouvir música pode reduzir a ansiedade e a dor de pacientes com câncer, sugere um novo estudo.
Pesquisadores da Universidade Drexel, em Filadélfia, combinaram dados de testes aleatórios de música na medicina --em que discos são reproduzidos para os pacientes-- e musicoterapia --quando os terapeutas usam música para avaliar e tratar os pacientes. Ao todo, eles analisaram 30 estudos, realizados com um total de 1.891 participantes. A pesquisa foi publicada na edição de agosto da revista "The Cochrane Reviews".
Os dados eram insuficientes para determinar qual das formas de terapia, a música na medicina ou a musicoterapia, era a mais eficaz. Contudo, os pesquisadores descobriram que as duas técnicas conseguiam reduzir a ansiedade e a dor, melhorar o humor e a qualidade de vida das pessoas com câncer.
Também foi possível relacionar a o ato de ouvir música com algumas mudanças fisiológicas benéficas, incluindo a redução do ritmo cardíaco e respiratório e da pressão arterial. O número de experimentos que examinaram os efeitos da música sobre a dor, a imagem corporal e a função imunológica era reduzido demais para que fossem feitas deduções, concluíram os pesquisadores.
Cinco testes de pequena escala analisaram os efeitos da música sobre a depressão e em nenhum deles ela foi proveitosa.
Os autores alertam em relação à baixa qualidade da evidência obtida, em grande parte porque é difícil ou impossível conduzir testes de musicoterapia sob controle rigoroso.
"Nós usamos música todos os dias", afirma Joke Bradt, principal autor do estudo e professor adjunto de arte terapia da Drexel, "e sua capacidade terapêutica pode ser usada em pacientes com câncer de forma bastante direcionada".

Nova metodologia para filarmônicas



Quando se fala em filarmônicas, logo o que se pensa é no resultado, mas onde fica o processo de aprendizagem e as contribuições que ele pode trazer para toda a vida do futuro músico? Antes de instrumentista, os participantes da filarmônica são alunos, e de música.
Em uma sociedade musical, a formação deve ser completa. Os valores de cidadania, a inclusão social, a iniciação musical, conhecimentos de gêneros musicais, tudo isso deve vir antes e durante a formação do instrumentista que vai compor a Filarmônica.
O que acontece na maioria das bandas de música é a aprendizagem somente para se tocar um instrumento. Na maioria das vezes falta um apanhado maior de temas importantes na música, como: harmonia, solfejo, apreciação musical, e até a teoria básica elementar. Sem esses conceitos básicos o aluno será sempre limitado a participar somente daquele ambiente da filarmônica. Para seguir o caminho da música profissional, é preciso muita dedicação, pois a concorrência e o nível são altos.
Você que está lendo esse texto, deve estar se perguntando o motivo para eu escrever sobre esse assunto aqui. Pois bem. Eu venho desse sistema, e acredito na sua função, pois através da oportunidade que tive, hoje posso tentar a profissionalização na área que mais amo na vida. Mas as lacunas do ensino que tive são visíveis.
No meu primeiro ano de faculdade, perdi a matéria Literatura e Estruturação Musical I, porque simplesmente eu não sabia nada do que estava sendo abordado. Tive dificuldades em todas as matérias que lidavam diretamente com música. As dificuldades no instrumento também sempre foram muito grandes, e o engraçado é que quando eu comecei a faculdade eu pensava que tocava muito. Foram dias e noites totalmente voltados há recuperar o tempo perdido, para melhorar um pouco, e mesmo assim ainda falta muito.
O fato é que eu não sou a única que sofre com essas lacunas de ensino. A maioria das pessoas que passaram pelo mesmo sistema de ensino musical sofre com isso.
É preciso tentar fazer algo para mudar. Uma sociedade musical trás tantos benefícios, só é preciso cuidar mais minunciosamente para um ensino mais eficaz.
A partir de todas as leituras que já fiz nesses anos de faculdade, e também a partir do projeto que eu fiz em minha cidade, percebi que o interesse das pessoas em aprender música é muito grande, mas o de participar de uma filarmônica não é tão grande assim. Mas porque isso? Será que a metodologia aplicada não atrai um bom número de participantes?
Não é muito difícil resolver esses problemas. O primeiro passo que proponho é a divisão de turmas. Quem tem 25 anos não tem a mesma velocidade de aprendizagem que o aluno de 9 ou  50 anos, e com certeza a metodologia aplicada para a determinada idade fará com que diminua a evasão de alunos. Além disso, ter divisão de níveis vai ajudar acelerar a entrada de membros novos mais preparados na banda.
Uma grade curricular pode ser estipulada. Podem ser colocadas disciplinas como: teoria musical, solfejo, apreciação musical e história da música, canto coral, instrumento individual e ensino coletivo de bandas. São seis disciplinas. Se o professor trabalha 8 horas por dia, divide seu dia para atender tudo, e é possível, porque estará concentrando o ensino em um determinado tema.
Proponho também que a imagem militarista da filarmônica diminua. Isso faz com que as crianças se desmotivem. Essa é a faixa etária que beneficiará mais a banda, pois poderá ficar mais tempo, então são necessários mais cuidados com a metodologia. Música tem que ser uma atividade prazerosa e não uma obrigatoriedade.
Quando o aluno entrar na banda e já tiver com uma leitura razoável é preciso ter um cuidado para ele não resolver só tocar músicas e parar no tempo, sem estudar mais.
Enfim, muito se pode fazer, mas com um professor preparado e bem remunerado é claro, que lute por reformas na metodologia e estrutura das sociedades musicais.
Eu acredito que isso trará o diferencial de uma banda e com certeza os resultados valerão todo o esforço.

Dedico esse texto a todos os amantes de filarmônicas e especialmente aos meus colegas de banda.
Grande abraço a todos e até a próxima.

Materiais didáticos para filarmônica

Olá pessoal!
A pedido de muitos amigos das filarmônicas no interior, estou postando links de materiais que indico para facilitar no trabalho de iniciação musical.

Esse é o link de uma apostila do Maestro Fred Dantas para filarmônica, muito boa:
http://www.afinandoascordas.com/comunidade/phocadownload/teoria_metodos/diversos/Fred%20Dantas%20-%20Teoria%20E%20Leitura%20Musical.pdf

 Esse é o link para um curso completo de percepção musical, passo-a-passo. Tutoriais de solfejo do Prof. Carlos Veigas, muito bom:
http://www.youtube.com/user/carlos5veiga

Esses materiais valem a pena. Em breve eu postarei mais coisas aqui no blog.

Saudações imensas aos meus amigos e companheiros de filarmônica e até a próxima!



sábado, 16 de julho de 2011

Escolas devem oferecer aula de música a partir deste ano


Nessa edição do Informe GBJ, chego ao tema mais discutido no universo musical brasileiro, ultimamente: a obrigatoriedade do ensino da música nas escolas de educação básica. Isso tudo porque, em 2008, o então presidente Lula sancionou a lei 11.769/08, que determina o ensino da música em todas as escolas. O prazo máximo para a adaptação à lei seria de três anos, ou seja, até 2011. Pelo período em que a lei foi instituída, imagina-se que a maioria das escolas já estão adaptadas, inclusive em Bom Jesus da Lapa. Ledo engano.
Por aqui, pouco se fala sobre a lei e a informação que temos é que na escola Promove Jr. já se utiliza da música como educação interdisciplinar, e que em algumas escolas pratica-se o canto coral. Somente.
Com certeza, as escolas terão dificuldade em se adequar à nova legislação que determina que os profissionais capacitados a musicalizar são os graduados em música, especialmente os de licenciatura, algo que falta em Lapa. Formar os educadores musicais também é difícil, pois estamos muito distantes dos centros onde existem faculdades de música. As mais próximas ficam em Feira de Santana, Salvador e Brasília, em torno de 10 horas de viagem. O problema não está restrito ao interior, pois há poucos centros de formação voltados para a música no país e são poucos os profissionais que formam todo ano para atender a demanda.
Mesmo assim, é louvável a introdução da música no currículo escolar. Ela estimula o raciocínio lógico e a sensibilidade, desenvolve a expressão oral, além de desenvolver senso crítico e de organização. A educação musical atuará nas escolas não com o objetivo de formar músicos profissionais, e sim como atividade interdisciplinar e ferramenta formadora de cidadãos.
O grande problema é que a educação musical ainda não é muito bem interpretada. Ensinar música não é cantar “musiquinhas” na hora da merenda, vai muito além disso. As aulas devem ser sérias e, ao mesmo tempo, descontraídas, onde os alunos queiram, antes de tudo, aprender. Devem ser ensinados desde elementos da teoria musical básica aos instrumentos até valores de cidadania através da apreciação musical. Porém, o plano pedagógico nacional para o ensino da música ainda não está pronto.
Enfim, muito se discute e pouco se faz. As próprias escolas podem iniciar pequenos projetos musicais que ajudarão a introduzir o ensino da música. E não é tão difícil desenvolver um projeto de musicalização.
Em 2010, eu realizei um projeto na Lapa, o PROEMUCI - Projeto Educação Musical para a Cidadania, com o apoio do Santuário do Bom Jesus da Lapa. Em 27 dias, 47 crianças dos bairros Nova Brasília e Beira Rio foram musicalizadas. Tudo feito com base na lei da obrigatoriedade do ensino. Foi somente um curso de férias, mas já foi possível perceber que a educação musical em Bom Jesus da Lapa, se bem aplicada, funciona e que pode ser realizada mesmo com poucos recursos financeiros.
Então, vamos todos arregaçar as mangas, que o prazo está acabando. Mãos à obra! 

Mais um artigo que foi publicado na minha coluna do Informe GBJ.
Link da versão online:
http://iga7.com.br/informegbj/