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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Nova metodologia para filarmônicas



Quando se fala em filarmônicas, logo o que se pensa é no resultado, mas onde fica o processo de aprendizagem e as contribuições que ele pode trazer para toda a vida do futuro músico? Antes de instrumentista, os participantes da filarmônica são alunos, e de música.
Em uma sociedade musical, a formação deve ser completa. Os valores de cidadania, a inclusão social, a iniciação musical, conhecimentos de gêneros musicais, tudo isso deve vir antes e durante a formação do instrumentista que vai compor a Filarmônica.
O que acontece na maioria das bandas de música é a aprendizagem somente para se tocar um instrumento. Na maioria das vezes falta um apanhado maior de temas importantes na música, como: harmonia, solfejo, apreciação musical, e até a teoria básica elementar. Sem esses conceitos básicos o aluno será sempre limitado a participar somente daquele ambiente da filarmônica. Para seguir o caminho da música profissional, é preciso muita dedicação, pois a concorrência e o nível são altos.
Você que está lendo esse texto, deve estar se perguntando o motivo para eu escrever sobre esse assunto aqui. Pois bem. Eu venho desse sistema, e acredito na sua função, pois através da oportunidade que tive, hoje posso tentar a profissionalização na área que mais amo na vida. Mas as lacunas do ensino que tive são visíveis.
No meu primeiro ano de faculdade, perdi a matéria Literatura e Estruturação Musical I, porque simplesmente eu não sabia nada do que estava sendo abordado. Tive dificuldades em todas as matérias que lidavam diretamente com música. As dificuldades no instrumento também sempre foram muito grandes, e o engraçado é que quando eu comecei a faculdade eu pensava que tocava muito. Foram dias e noites totalmente voltados há recuperar o tempo perdido, para melhorar um pouco, e mesmo assim ainda falta muito.
O fato é que eu não sou a única que sofre com essas lacunas de ensino. A maioria das pessoas que passaram pelo mesmo sistema de ensino musical sofre com isso.
É preciso tentar fazer algo para mudar. Uma sociedade musical trás tantos benefícios, só é preciso cuidar mais minunciosamente para um ensino mais eficaz.
A partir de todas as leituras que já fiz nesses anos de faculdade, e também a partir do projeto que eu fiz em minha cidade, percebi que o interesse das pessoas em aprender música é muito grande, mas o de participar de uma filarmônica não é tão grande assim. Mas porque isso? Será que a metodologia aplicada não atrai um bom número de participantes?
Não é muito difícil resolver esses problemas. O primeiro passo que proponho é a divisão de turmas. Quem tem 25 anos não tem a mesma velocidade de aprendizagem que o aluno de 9 ou  50 anos, e com certeza a metodologia aplicada para a determinada idade fará com que diminua a evasão de alunos. Além disso, ter divisão de níveis vai ajudar acelerar a entrada de membros novos mais preparados na banda.
Uma grade curricular pode ser estipulada. Podem ser colocadas disciplinas como: teoria musical, solfejo, apreciação musical e história da música, canto coral, instrumento individual e ensino coletivo de bandas. São seis disciplinas. Se o professor trabalha 8 horas por dia, divide seu dia para atender tudo, e é possível, porque estará concentrando o ensino em um determinado tema.
Proponho também que a imagem militarista da filarmônica diminua. Isso faz com que as crianças se desmotivem. Essa é a faixa etária que beneficiará mais a banda, pois poderá ficar mais tempo, então são necessários mais cuidados com a metodologia. Música tem que ser uma atividade prazerosa e não uma obrigatoriedade.
Quando o aluno entrar na banda e já tiver com uma leitura razoável é preciso ter um cuidado para ele não resolver só tocar músicas e parar no tempo, sem estudar mais.
Enfim, muito se pode fazer, mas com um professor preparado e bem remunerado é claro, que lute por reformas na metodologia e estrutura das sociedades musicais.
Eu acredito que isso trará o diferencial de uma banda e com certeza os resultados valerão todo o esforço.

Dedico esse texto a todos os amantes de filarmônicas e especialmente aos meus colegas de banda.
Grande abraço a todos e até a próxima.

Materiais didáticos para filarmônica

Olá pessoal!
A pedido de muitos amigos das filarmônicas no interior, estou postando links de materiais que indico para facilitar no trabalho de iniciação musical.

Esse é o link de uma apostila do Maestro Fred Dantas para filarmônica, muito boa:
http://www.afinandoascordas.com/comunidade/phocadownload/teoria_metodos/diversos/Fred%20Dantas%20-%20Teoria%20E%20Leitura%20Musical.pdf

 Esse é o link para um curso completo de percepção musical, passo-a-passo. Tutoriais de solfejo do Prof. Carlos Veigas, muito bom:
http://www.youtube.com/user/carlos5veiga

Esses materiais valem a pena. Em breve eu postarei mais coisas aqui no blog.

Saudações imensas aos meus amigos e companheiros de filarmônica e até a próxima!



sábado, 16 de julho de 2011

Escolas devem oferecer aula de música a partir deste ano


Nessa edição do Informe GBJ, chego ao tema mais discutido no universo musical brasileiro, ultimamente: a obrigatoriedade do ensino da música nas escolas de educação básica. Isso tudo porque, em 2008, o então presidente Lula sancionou a lei 11.769/08, que determina o ensino da música em todas as escolas. O prazo máximo para a adaptação à lei seria de três anos, ou seja, até 2011. Pelo período em que a lei foi instituída, imagina-se que a maioria das escolas já estão adaptadas, inclusive em Bom Jesus da Lapa. Ledo engano.
Por aqui, pouco se fala sobre a lei e a informação que temos é que na escola Promove Jr. já se utiliza da música como educação interdisciplinar, e que em algumas escolas pratica-se o canto coral. Somente.
Com certeza, as escolas terão dificuldade em se adequar à nova legislação que determina que os profissionais capacitados a musicalizar são os graduados em música, especialmente os de licenciatura, algo que falta em Lapa. Formar os educadores musicais também é difícil, pois estamos muito distantes dos centros onde existem faculdades de música. As mais próximas ficam em Feira de Santana, Salvador e Brasília, em torno de 10 horas de viagem. O problema não está restrito ao interior, pois há poucos centros de formação voltados para a música no país e são poucos os profissionais que formam todo ano para atender a demanda.
Mesmo assim, é louvável a introdução da música no currículo escolar. Ela estimula o raciocínio lógico e a sensibilidade, desenvolve a expressão oral, além de desenvolver senso crítico e de organização. A educação musical atuará nas escolas não com o objetivo de formar músicos profissionais, e sim como atividade interdisciplinar e ferramenta formadora de cidadãos.
O grande problema é que a educação musical ainda não é muito bem interpretada. Ensinar música não é cantar “musiquinhas” na hora da merenda, vai muito além disso. As aulas devem ser sérias e, ao mesmo tempo, descontraídas, onde os alunos queiram, antes de tudo, aprender. Devem ser ensinados desde elementos da teoria musical básica aos instrumentos até valores de cidadania através da apreciação musical. Porém, o plano pedagógico nacional para o ensino da música ainda não está pronto.
Enfim, muito se discute e pouco se faz. As próprias escolas podem iniciar pequenos projetos musicais que ajudarão a introduzir o ensino da música. E não é tão difícil desenvolver um projeto de musicalização.
Em 2010, eu realizei um projeto na Lapa, o PROEMUCI - Projeto Educação Musical para a Cidadania, com o apoio do Santuário do Bom Jesus da Lapa. Em 27 dias, 47 crianças dos bairros Nova Brasília e Beira Rio foram musicalizadas. Tudo feito com base na lei da obrigatoriedade do ensino. Foi somente um curso de férias, mas já foi possível perceber que a educação musical em Bom Jesus da Lapa, se bem aplicada, funciona e que pode ser realizada mesmo com poucos recursos financeiros.
Então, vamos todos arregaçar as mangas, que o prazo está acabando. Mãos à obra! 

Mais um artigo que foi publicado na minha coluna do Informe GBJ.
Link da versão online:
http://iga7.com.br/informegbj/

terça-feira, 28 de junho de 2011

Chegou o São João! Ou será mais um carnaval?



Logo que passa o carnaval, já sentimos uma vontade de dançar forró. É o clima de festas juninas chegando. Musicalmente falando, é a época do tradicional forró pé-de-serra, xotes, samba-coco, reizado e os baiões, cultivada por grandes nomes da música popular que tem como ícone maior Luiz Gonzaga.
Mas essa tradição predominante no Nordeste, nos últimos 15 anos, tem passado por transformações. O típico forró pé-de-serra está perdendo espaço para o forró cheio de guitarras e baixos (eletrônicos) e a explosão do sertanejo tem predominado na maioria das festas. Além disso, de tempos pra cá, tem sido cada vez mais comum as festas juninas se transformarem em mais um carnaval com as festas de camisa. Hoje as festas disputadas são aquelas tipo o Forró do Bosque, realizado em Cruz das Almas, que este ano todas as atrações são sertanejas e do axé, e nenhuma o tradicional forró. Ou seja, a música que caracteriza a região tem perdido espaço para outros ritmos.  Podemos dizer, então, que as festas têm decaído em qualidade musical?
A diversidade no Brasil é grande. A cada dia que passa um novo estilo musical surge, e assim como tudo no mundo, a música se transforma e adapta ao momento. O que acontece no São João, atualmente, é uma grande mistura, deixando de lado o forró. Assim como devemos receber os novos estilos, também se deve preservar o que já existe. Além do mais, o forró trouxe uma contribuição para a música brasileira. É a tradicional música nordestina, que inicialmente expressava a situação de seca, e ao mesmo tempo, a alegria da fartura e a chuva, mesmo que tardia.
Bom, então podemos dizer que, a qualidade musical das festas juninas não decaiu, no entanto, as músicas tocadas nessa época não mais representam o espírito original das festas. Não é necessário modificar as festas, porque durante o ano há espaço para todos os estilos e eventos populares. O turismo no Nordeste é forte, principalmente pela cultura junina cultivada, o que movimenta todos os outros setores. Portanto, impor um estilo não é o correto como vem acontecendo na Paraíba, onde o secretário de cultura Chico César decidiu patrocinar somente as bandas de forró pé-de-serra. Respeitar os diversos gostos é necessário. Mas por outro lado, em uma festa tão tradicional e esperada deve-se preservar a cultura, não se esquecendo de abranger estilos derivados, que de uma forma ou outra também carregam algum vestígio do tradicional forró, de onde surgiram. 
Discussões como essa sempre existiram, porém não podemos deixar que o espírito junino fique de lado. Portanto, o que nos resta, com qualidade musical ou não, é procurar um lugar aconchegante com um forró para dançar agarradinho, e saborear as delícias típicas da época, nessa terra tão boa. Combinação irresistível, não é? 

 Texto publicado na segunda edição do Informativo GBJ, jornal em que sou colunista, e escrevo sobre música. 
Segue o link, da versão do jornal online.

 
Embreve edição de Julho !

Aguardem!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Um patrimônio cultural chamado Euterpe Lapense

O mês de maio além de ser considerado o mês das mães, também comemora o aniversário da reativação da Sociedade Filarmônica Euterpe Lapense.
A Filarmônica Euterpe Lapense desenvolve em Bom Jesus da Lapa um trabalho educacional para crianças e jovens. Os alunos aprendem a educação musical completa, da teoria até a prática no instrumento. Aprendem também sobre cidadania e espírito de coletividade. Em Bom Jesus da Lapa, o único meio completo de se aprender música. É totalmente gratuito, desde as aulas em todos os dias da semana até os instrumentos.
Desde a reativação, em maio de 2003, até hoje, a filarmônica gerou muitos “frutos”. Músicos de bandas da região, e até o atual regente da filarmônica são exemplos de jovens que mudaram suas vidas graças a música.
A Filarmônica de Bom Jesus da Lapa é a instituição que melhor representa a cultura na cidade. Toca em todas as manifestações populares e civis. A população, porém, ainda não compreende os esforços utilizados para se formar um músico e na maioria das vezes não valoriza o quanto deveria esse patrimônio cultural. Por que fazer acontecer o sonho de continuar a Filarmônica envolve a dedicação de muitas pessoas: os músicos da banda e alunos, a diretoria, que possui pessoas dedicadas a cultura, principalmente a presidente profª Solange Bernadete, que cede a sua própria casa para as aulas e ensaios da banda devido a falta de uma sede própria.
Tocar um instrumento musical envolve o psicológico e o físico e dirigir uma filarmônica envolve inteira disposição e nenhum salário. Por isso essas pessoas necessitam do reconhecimento de todos, para seguirem firmes e fortes representando cada vez melhor a cultura lapense.
Nesses oito anos de reativação, Lapa só tem a agradecer pela cidadania e cultura que a Euterpe Lapense cultiva. E eu, que comecei na música nesta instituição e hoje busco a profissionalização na Universidade Federal da Bahia- UFBA, como clarinetista, presto aqui a minha homenagem especial a filarmônica.
Parabéns, Filarmônica Euterpe Lapense!

Texto escrito por mim e publicado no Informe GBJ, jornal em que sou colonunista.
 
Segue o link da versão online do jornal:

sábado, 5 de março de 2011

A importância da música na vida das pessoas


Retomo meu blog, depois de um tempo sem postar nada, com um assunto polêmico para os profissionais da música e para os amantes da boa música também.
Música, representa não só uma arte filosoficamente falando, a mais sublime de todas segundo Rousseau, ela está presente em todos os momentos da nossa vida, age até como um remédio.
2011 será o ano dessa arte mostrar para quem ainda não se convenceu da sua importância, já que está em sua melhor “era”. A obrigatoriedade do ensino da música nas escolas, será o primeiro passo para   o reconhecimento. O segundo passo, já está acontecendo. A cada dia que passa, mais pessoas procuram um refúgio pra alma na música.
A musicoterapia, terapia através da música, se tornou um aliado na recuperação de bebês prematuros, pessoas com distúrbios mentais, depressão e até como auxílio no crescimento saudável de plantas.
Na educação, a música estimula a sensibilidade, o raciocínio lógico, a precisão e uma personalidade firme. Eu acredito muito que ela pode auxiliar na formação de cidadãos de bem, que gostem de estudar todas as matérias, porque a música age  interdisciplinalidade.
Existe música pra todos os momentos: pra comemorações, pra dançar, tristes, de saudade, apaixonadas, enfim, o que você precisar vai encontrar. E a melhor parte é que não tem contraindicações.
Nesse carnaval, aproveite as alegrias que a música poderá ensinar a você.

Bom carnaval a todos e MUITA MÚSICA!